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Sessão especial, na ALE/AL, aponta maracatu como expressão alagoana de resistência à tenttiva de sileciamento institucional

Foto do escritor: Deputada Elida
Deputada Elida
21 de ago.
4 min de leitura

Proposta pela deputada Elida Miranda, sessão reuniu de grupos de maracatu, pesquisadores ,fazedores de cultura e autoridades , na tarde desta sexta-feira(21)


Mestres, mestras, batuqueiros, batuqueiras, brincantes, pesquisadores ,produtores e fazedores de cultura de Alagoas participaram da sessão pública especial alusiva ao Dia Nacional do Maracatu (1º de Agosto), realizada na tarde desta sexta-feira (21).

Proposta pela deputada estadual Elida Miranda (PT), a sessão foi marcada testemunhos emocionados sobre a história, e a trajetória de resistência do maracatu e sua contribuição para a formação da identidade cultural alagoana.

“Foi uma tarde de muita emoção. Tivemos uma verdadeira aula de história, tecida nas falas dos representantes dos grupos de maracatu, pesquisadores e convidados. Eles nos mostraram que falar de maracatu é falar de resistência, de memória, de ancestralidade, reexistência e futuro”, resumiu a Elida, que se apresentou como batuqueira (Baque Alagoano).

Durante a sessão, demais representantes dos grupos e estudiosos ressaltaram que o maracatu sobreviveu a períodos de perseguição e silenciamento e encontrou diferentes formas de permanecer vivo nas comunidades, nos terreiros, nas ruas e nos espaços culturais.

Em sua fala, a professora Angela Brito (Maracadot@as) lembrou que o maracatu é uma manifestação cultural, musical, religiosa afro-brasileira, tecida na mistura de elementos das culturas africanas, indígena e europeia. “Maracatu é corpo, palavra, crença e magia, que são os fundamentos da filosofia Bacongo”, afirmou Angela.

Ela e todos os que usaram a tribuna de honra da ALE, fizeram questão de lembrar do episódio da “Quebra de Xangô, o episódio mais violento de racismo religioso e perseguição a terreiros da história do Brasil, ocorrido em Maceió, em 1912.

Após o episódio de 1912, segundo relatou Hélton Souto (Baque Alagoano), estudiosos chegaram a considerar o desaparecimento do maracatu no estado e que seu retorno seria marcado, portanto, pela criação do Maracatu Baque Alagoano em 2007. “Contudo, estudos mais recentes sobre o tema apontam para presença de grupos de maracatu, a exemplo de “Cabindas do Jaraguá” e “Os africanos” em meados dos anos 30”, contou.

A pesquisadora e integrante do maracatu Yá Dandara, Sarah Dias, acrescentou a essa linha do tempo, durante sua fala, que a retomada contemporânea do maracatu em Alagoas, especialmente a partir dos anos 2000, está ligada à oficina de maracatu do mestre Wilson Santos, que, segundo ela, influenciou o surgimento de coletivos como o Baque Alagoano e o AfroCaeté, que transformaram a prática percussiva em campo de afirmação identitária e disputa simbólica.

De acordo com Júlia Araújo (Maracatu Novaurora), a memória e a afirmação da existência também é uma forma de resistência no interior.“Essa memória também está presente em Palmeira dos Índios. Em uma pesquisa sobre a presença do maracatu em nosso território, encontramos no jornal ‘O Índio’, numa edição de 1924, referência aos maracatus no carnaval da cidade. Essas histórias precisam ser conhecidas, preservadas e contadas. E é nesse caminho que o Novaurora se coloca hoje”, afirmou Júlia.

O significado simbólico de levar o maracatu para o espaço do Legislativo estadual foi ressaltadopor João Lima (Coletivo AfroCaeté). “Trazer o maracatu para dentro desta Casa é simbólico. Isso precisa ser registrado e enaltecido”, afirmou, lembrando que houve momentos em que a perseguição à manifestação cultural chegou a ser institucionalizada.

Lima também fez referência à trajetória de Tia Marcelina, figura histórica da cultura afro-alagoana, como símbolo da resistência dos terreiros e da preservação das tradições de matriz africana.

“O maracatu é resultado de um processo contínuo de construção cultural. Existe muito trabalho antes de um cortejo, que começa bem antes do carnaval e continua pelo resto do ano. Existem pessoas que, além de brincar e tocar, ensinam, aprendem, pesquisam, ensaiam e preservam ”, ressaltou Cayo Raphael Rocha (Maracatu Cambinda Nova de Alagoas).

A representante do Maracatu Ya Dandara, Sarah Dias, definiu o maracatu como uma prática que também produz conhecimento e educação. “O maracatu é uma pedagogia”, afirmou, destacando o papel da manifestação na formação cultural e na transmissão de saberes.

Pesquisa

A professora e pesquisadora Amanda Menezes, do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Alagoas (PPGH/Ufal), também presente à sessão, falou sobre sua pesquisa acadêmica dedicada aos maracatus de Alagoas, desenvolvida com financiamento da Capes.

Batuqueira, Amanda lembrou que o folclorista Théo Brandão já apontava o maracatu como um dos folguedos populares do Nordeste de mais nítida e flagrante origem ou influência africana. A pesquisadora ressaltou que os estudos sobre os maracatus alagoanos contribuem para recuperar histórias que durante muito tempo permaneceram invisibilizadas, com também, para compreender a manifestação como parte da formação cultural e social de Alagoas.

Prestigiando a sessão, em meio à plateia, a cantora alagoana Fernanda Guimarães, refletiu sobre o significado do momento que vivenciou. “O maracatu celebra a identidade e a diversidade do nosso povo, reconhecendo na cultura uma força social, um instrumento de cidadania e um fundamento essencial daquilo que somos, resumiu Fernanda.

A sessão contou ainda com a presença do deputado Judson Cabral (PT), do representante do Ministério da Cultura em Alagoas, Pedro Verdino, do secretário geral do Sindicato dos Músicos de Alagoas, Marcelo Ferraz, de representnates do movimento Tambores do Jaraguá, entre outros convidados.


Foto: Aurélio Novaes

Sessão foi marcada testemunhos emocionados sobre a história, e a trajetória de resistência do maracatu.
Sessão foi marcada testemunhos emocionados sobre a história, e a trajetória de resistência do maracatu.

 
 
 

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